quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Futebol

Dei por mim em frente a uma página em branco, mais uma vez. Apetecia-me insultar-te como nunca e dizer-te que és das piores merdas que conheci. Erro meu. Seria demasiada a importância que estaria a dar-te, certo? Então achei achei por bem cruzar os braços e ficar na última fila a ver o jogo decorrer. Nunca gostei de primeiras filas, as câmaras apanham sempre a nossa pior parte e as nossas figuras mais ridículas. Tentei acompanhar todo o jogo e todos os mais pequenos pormenores , mas não consegui. Enjoei no teu primeiro lance: aquele de te achares o mais garanhão da zona. Pensei que vomitava, fiquei mesmo mal disposta sabias? Foi aí que me apercebi o quanto estava iludida com uma pessoa que não conhecia. Não te conheço, nunca te conheci. Vidrei-me numa personalidade na qual fui em quem tentou limar as arestas. Erro meu, mais uma vez. Sabes porquê?  Tentei fazer de ti aquilo que me fazia feliz, tentei mostrar-te o que deverias fazer, o que deverias ser. E tu afinal de contas não passavas de um mero júnior que nem tinha tempo de ir aos treinos. Desisti, e cansei-me. Futebol nunca foi o meu forte e crianças também não. Não tentes encontrar-te nas entrelinhas deste texto... não estás cá, nem aqui, nem ali, nem nas paredes do quarto, nem sequer numa única foto. LIXO, é aí que estão essas memórias, é aí que tu estás e continuarás até que me passe a azia daquele jogo onde o culpado nunca foi o árbitro, mas sim eu, o espectador que esperou demais de um simples "jogador".
Aplica-te em crescer, afinal com esta crise toda qualquer dia ficas sem infantários.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Mudanças

Foi bom, nunca ninguém poderá dizer o contrário. Foi óptimo. Existem sensações que vou guardar sempre e as quais certamente não conseguirei repetir ou sentir com mais ninguém. Eu conhecia-te, tu conhecias-me... ou talvez não! Afinal demoramos uma vida inteira para nos conhecermos a nós mesmo, assim sendo, como poderemos conhecer alguém na totalidade? Filosofias... Saberia sempre como pôr-te um sorriso na cara, saberia cozinhar o teu prato favorito e se fosse preciso dedicar-me-ia aos doces só porque adoravas algum em especial. Tenho a certeza que conseguiria sempre descobrir uma das tuas músicas preferias ou um dos filmes que te faziam colar ao ecrã. É, há hábitos que não se perdem... E tu saberias qual o meu animal favorito e desviar-me-ias a cara para me mostrar um qualquer exemplar que passasse na rua. Porque talvez nos tenhamos conhecido de uma forma que mais ninguém nos conhece. Mas talvez o conhecimento não seja tudo e a forma como lidávamos um com outro não seria provavelmente a mais certa.
Hoje tu foste. Vou sempre lembrar-me do último beijo e do que me disseste antes de bater com a porta do meu quarto de mochila às costas. Chorava, como de todas as vezes que te via ir, mas sabendo que voltarias. Desta vez não voltas-te, e as pipocas continuam no mesmo sítio, para ver os filmes que prometemos ver juntos.
Desculpa, o teu ''adeus'' não foi o melhor do mundo, por isso não se estranhes se algum dia eu mudar de passeio para não ter que te cumprimentar, nem te assustes se o meu estilo mudar. A vida é feita disso mesmo : mudanças!
Não duvides ainda que quando ouvires o meu nome te vais lembrar de mim, nem estranhes quando alguém te contar que substituí as tuas fotos por outras... mudanças!
Ensinaste-me a gostar de gatos e eu pus-te a ver filmes românticos... queres melhor? Mas agora está na altura de mudar o jardim zoológico, de trocar as pipocas de sítio, de guardar fotos e pertences em baixo da cama para não ter que me cruzar todos os dias com as mesmas lembranças. Poderia pedir-te para não te esqueceres de mim, mas não vale a pena. Porque há cheiros que não se confundem, nem hábitos, nem SORRISOS. E o meu tu conheces de cor.
Quando um dia passar à tua porta, deixa-me entrar, há coisas que gostava de rever, e que tu saberás certamente quais são; mas não me deixes abrir a porta do teu quarto, todas aquelas paredes guardam memórias de um filme que na altura será bastante antigo.
Por agora só te peço uma coisa, que sejas feliz, assim como eras quando estávamos juntos. E espero que nunca te arrependas da tua incapacidade de me voltar a amar e de me conseguir manter por perto... Nesse dia eu estarei longe! Quem sabe, no Dubai... Sem ti!

Abraço!

P.s. - Morangos com chocolate continuam a ser os meus preferidos!... E quem sabe um dia, aprenda a gostar de Licor Beirão.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Retoricamente falando

Lembro-me como se fosse hoje. Lembro-me do teu sorriso, de como os teus olhos brilhavam e o teu coração quase saía pela boca. Permanecíamos deitados naquela cama há umas longas horas. Entre guerras de almofadas, bolachas caídas pelo tapete (reféns de quando a fome parecia dar sinais de vida), beijinhos, abraços … Aquelas coisas que hoje me dão náuseas só de pensar. Tudo muda, e desta vez não foi diferente. Lembras-te das promessas que fizeste naquela longa tarde antes de irmos à praia? “Nunca te vou deixar” , “Vou sempre proteger-te”, “Não vejo mais ninguém” … Eras cego era? É que de um momento pro outro começas-te a ver bem demais, tudo que mexe tu estás lá batido. Fácil, bastante até.
Meu amor, tu sabes como sou observadora, poderia ser inspectora da PJ, sabias? Mas isso é pouco demais para mim, prefiro continuar à caça de meninos babados que adoram saltar para cima de tudo aquilo que possa ter algo que os console. CREDO, irritas-me, miúdo. Começo a ficar com medo daquilo que me tenho vindo a tornar, ou talvez deva ficar orgulhosa. Lembras-te daquela rapariga que conheces-te no início do namoro que chorava desesperadamente por ver uma formiga morta? Hoje quem morreu foi essa menina, e queria dizer-te na cara, a sorrir, sabes quantas vezes chorei dessa forma desde que mandas-te essas promessas todas pró c** ? UMA má love, UMA … Tem calma, não te assustes. Bem sei que pode parecer estranho, mas olha, meninas tornam-se mulheres, provam outros beijos e conhecem outros cheiros. Talvez já esteja na altura de eu procurar pela existência dessas mesmíssimas coisas. Porque tudo acaba e todas essas promessas, há-de haver um dia em que me vou rir e dizer “a sério que algum dia pude acreditar que era verdade?”. E nessa altura vou tirar um peso de cima de mim, aquela da pobre coitada que ainda acha que se deve culpabilizar pelo facto do príncipe a ter deixado. Príncipe uma ova!! Não há príncipes. Até gosto mais do Shrek que do Ken, caras feias fazem rir, músculos só servem para arrastar armários. E para isso, não preciso de ti!
Confesso, continuo a lembrar-me de ti à noite, de manhã, bêbeda, em sonhos, em expressões. Mas tu lembra-te de uma coisa: foste tu quem abandonou o castelo, e hoje em dia já ninguém anda de cavalo, só de autocarro… E esse… esse é caro e eu sou uma princesa pobre.