terça-feira, 10 de julho de 2012

De Sangue

Nem sei muito bem por onde começar, nem de que forma possa usar as palavras para demonstrar o quanto estou magoada contigo, o quanto me sinto triste, o quanto me dói saber que não somos mais o que éramos. Precisava de um daqueles passeios nossos para te poder olhar nos olhos e demonstrar-te que sinto taaaanto a tua falta, dar-te um abraço dos nossos, um beijinho e dizer-te «gosto tanto de ti» ... Mas não posso, não posso porque o orgulho de ambas as partes tornou-se superior àquela relação que tínhamos, que sempre tivemos, que tenho a certeza que toda a gente que nos visse juntos, invejaria.
Lembras-te das brincadeiras? Sempre fui uma Maria rapaz (nem poderia ser de outra forma contigo); os carros, a terra, a viola, a scooter ... Lembras-te como eu adorava andar naquela "lambreta" contigo? Aquilo andava mesmo pouco não achas? Mesmo assim eu adorava, naquela rua de roseiras, a pique, quando eu sentia o cabelo todo para trás com o vento, sentada no teu colo e os olhos a lacrimejarem: era a adrenalina total. Eu gargalhava-me toda!
Os banhos de mangueira sempre foram algo caricato também, começavam sempre no quintal, com algo sério para fazer, mas acabavam sempre em brincadeiras que os pais detestavam.
Sempre tivemos uma coisa em comum: o amor pelos cães! Ainda consegues lembrar-te do quanto já chorámos juntos pelos cães que nos morreram? Éramos sempre eu e tu a dar-lhes banho. Eles detestavam. Mas tu nunca te esquecias que era para o bem deles. O quanto nós chateámos a cabeça dos pais para irmos buscar aquele cachorro bebé, o Jonas. E às escondidas deles, íamos buscá-lo à noite, para a nossa beira, quando eles se deitavam. Coitadinho, ele estava sempre a chorar, de tão assustado.
Adorava ouvir-te tocar viola, e naquelas noites com os teus amigos, as noites académicas que eu de vez em quando (muito de vez em quando) tinha oportunidade de assistir a partes, eu pensava para os meus botões «um dia ainda hei-de saber tocar como tu» ...
Não me esqueço que poucos dias antes de seguires a tua vida fora desta casa, dormi TODOS os dias contigo. Era a loucura total nós os dois. Adormecíamos sempre tarde, sempre na brincadeira, e os pais chegavam a vir reclamar. Sobrava sempre pra mim não era? A mais nova.
Hoje as coisas mudaram. Não imaginas o que choro ao escrever isto, o que me custa reconhecer que a nossa relação se perdeu, o que me custa saber que tu deixas-te de ser quem eras. Desculpa se por vezes não fui a melhor, mas eu tinha um orgulho imenso por ti. Lembras-te como gozavas com as minhas notas de Educação Física? E hoje? Ainda sabes quais são as minhas áreas favoritas?
Em parte acredito que sempre fiz tudo por nós, mas sabes que existem alturas em que acabamos por baixar os braços porque já não dá mais. E depois choramos... Sozinhos. Nunca gostei muito de falar deste assunto com ninguém, não por medo, mas porque me custa mais que qualquer outro.
Não sei se algum dia voltaremos à mesma cumplicidade.
Estou muito magoada contigo! Um dia, se tivermos oportunidade,os dois sozinhos, tenho muita coisa para te dizer. E depois, se puder, vou abraçar-te como antes, e vamos rir da coisa mais estúpida que nos lembrar-mos ... É, gozávamos sempre com toda a gente.
Se alguma vez este texto te chegar às mãos, lê-o com atenção, nas entrelinhas existem coisas que ninguém percebe; palavras cheias de saudade ... Por agora, não te esqueças que eu continuo aqui, como quando tinha 6 anos, cabelo loiro encaracolado, e aquele sorriso malandro. Eu sou a mesma, que continua amar-te, e tu?

Da SEMPRE tua,
Mana .

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