Estás igual! Um pouco mais rechonchudo. A barriga da cerveja já se começa a notar (quantas vezes te avisei?), cabelinho cortado daquela forma que sabias que eu gostava, um tom de pele mais moreno que o teu habitual... é normal! Ficas sempre assim com os primeiros raios de sol da primavera. Como é que ainda não apanhas-te um escaldão? É matemático nessa pele tom lixívia. Analisei a foto um pouco mais, nada diferia do habitual, mesmo não te vendo há meses. Continuas a fazer "aquelas covinhas" quando sorris.
Tinha muito para te contar. As frequências, o mundo da universidade, as festas, as pessoas novas que conheci, o quanto gosto desta cidade e como ela me elimina a celulite diariamente com tantos "sobes e desces". Bem sei que prometemos uma amizade consistente depois do "acabou", mas achas mesmo que estamos a conseguir? É certo, ambos escolhemos caminhos diferentes, caminhos que não se cruzam, dos quais não fazemos parte os dois. Eu estou feliz e consegui aprender a gostar de mim outra vez, de mim e de mais alguém. Mas tu não imaginas a quantidade de coisas que temos por esclarecer, e sinceramente não consigo perceber se de facto me esqueces-te, ou se continuas a ver as minhas fotografias e os meus presentes sempre que sentes saudades. Consegues responder-me? Consigo perceber que estás magoado sempre que tento falar contigo, mas juro que não percebo o motivo! Eu fiz tudo por nós, bem sabes, e tu fechas-te-me a janela quando aquilo que eu mais queria era saltá-la contigo para sempre. Mas como se costuma dizer tudo tem um fim, e nós tivemos o nosso. Não consigo perceber sequer o motivo pelo qual escrevo estas linhas, talvez porque ao ver a tua última foto me tenham dado algumas saudades. Saudades de um bom café a dois, com uma conversa sem discussões em que o assunto não seja "nós", esse nós que já nem existe, e que tu bem sabes porquê. Não te censuro, afinal se estamos separados não foste só tu a falhar, e eu encontrei muitas coisas boas depois de ti, que me fazem muito feliz e me conseguem mostrar o quanto eu ainda consigo ter a capacidade de fazer alguém feliz.
Já viste em que altura estamos? Cerejas! Lembras-te como eu adoro e implorava sempre que me trouxesses? Ainda hoje me lembrei disso. É verdade, às vezes lembras-te de cada pormenor que tu nem sabes como é que tiveste necessidade de o guardar, mas é... acabas sempre por te lembrar, um dia mais tarde...
Hoje é um daqueles dias em que talvez eu sinta saudades de toda a gente e como tu és sem dúvida a pessoa mais improvável a quem eu possa vir a dizê-lo, decidi escrevê-lo. Talvez seja bom eu sentir saudades, afinal não se tem saudades das coisas más, e apesar de tudo, fomos nós quem escolhemos viver vidas separadas, afinal... foste tu quem deixou de me trazer cerejas *
Da Sempre ,
Rii .

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