sábado, 4 de agosto de 2012

Pôr de Sol

Ali estava ela. Sentada na varanda, olhando o mesmo pôr-do-sol de todos os dias. Enquanto fumava o seu cigarro pensava como seria possível existirem mudanças tão repentinas na vida de alguém. Sabia bem o quanto a vida já lhe tinha pregado partidas, e em como algumas cicatrizes ainda se notavam em noites de lua cheia. Então ela já não sabia o que queria, pois tudo havia sido trocado. O vaso de tulipas não estava já na mesa da cozinha, nem tão pouco a televisão continuava no mesmo sítio; melhor ... o peluche já não tinha o seu lugar marcado na cama dela, assim como ELE deixara de ter nos «recentemente utilizados» do seu telemóvel.
Às vezes achava que seria apenas uma passagem, como aquelas chuvas torrenciais em pleno mês de Agosto que vão e vêm; mas não... começara a habituar-se à ausência. Já não esperava palavras bonitas, desejava atitudes concretas. Hoje ela começa a mentalizar-se de como tudo mais tarde ou mais cedo acabará, tal como um cigarro se apaga, ou um pôr-do-sol se finda todos os dias, no mesmo horizonte... Depois? Depois ela sorrirá, e saberá que lágrimas só merece a morte, e que tudo o resto a endurecerá. Pois sempre foi assim, risonha!!